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O senhor da guerra visita o Brasil
Ter, 10 de Novembro de 2009 01:00
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Senhor presidente, senhoras e senhores deputados

 

Shimon Peres, o presidente de Israel, é recebido com todas as honras pelo governo brasileiro e até homenageado nesta Casa no dia de hoje. Não poderíamos deixar de registrar desta tribuna, o constrangimento que deveria ser para todos os que defendem a democracia, a paz e a autodeterminação dos povos recebê-lo desta forma.

 

Quando no mundo inteiro se comemora os 20 anos da queda do muro de Berlim, pouco se fala do muro da vergonha erguido pelo Estado de Israel para segregar o povo palestino.

 

No início deste ano o mundo assistiu estarrecido a carnificina promovida por Israel em Gaza. O povo palestino viveu dias de flagelo, agonizando entre bombas, falta de alimentos e de recursos médicos e sob ataques cerrados que vitimaram milhares de pessoas.

 

Parece que tudo isso foi limpo da memória coletiva. Parece até que nada aconteceu. Não podemos fazer vistas grossas aos mais de 60 anos de massacre do povo palestino e mais de quatro décadas de ocupação militar dos territórios de Gaza e Cisjordânia. Nem tampouco ao direito legítimo e inalienável do povo palestino: a autodeterminação nacional nas fronteiras internacionalmente reconhecidas do armistício de 1949, soberania nacional plena, e o direito de retorno e restituição dos bens que lhes foram tomados em 1948. É impossível negar a história. A limpeza étnica de 1947-48, os massacres perpetrados pelas milícias sionistas da Haganá, Stern e Leumi, que acarretaram a expulsão de aproximadamente 800.000 palestinos de suas aldeias entre 29 de novembro de 1947 e o final de 1948.

 

Shimon Peres é um dos expoentes e continuador histórico dessa prática genocida. Como destaca o manifesto da Frente em Defesa do Povo Palestino de São Paulo, em repúdio a visita do presidente de Israel: “o partido de Shimon Peres é o Kadima, fundado por Ariel Sharon, que coordenou os massacres de Sabra e Chatila no Líbano em 1982 e organizou a sangrenta repressão à segunda Intifada em 2000, que ele mesmo havia provocado. A atual presidente do Kadima é Tzipi Livni, que disputava o ‘mérito’ da organização do massacre de Gaza em janeiro de 2009.”

 

O manifesto destaca ainda uma declaração assustadora de Shimon Peres, que disse em entrevista ao Expresso, diário português, que “no fim, o mundo irá agradecer-nos” pelo massacre em Gaza, pelos 1500 mortos, pela destruição completa de um território que já vinha sofrendo dois anos de fronteiras fechadas.

Ironia da história é que Shimon Peres foi congratulado com o prêmio Nobel da Paz, com se isso pudesse apagar as atrocidades cometidas pelo Estado de Israel.

 

O que mais chama a atenção é a complacência dos grandes meios de comunicação com a visita de Shimon Peres, nenhuma palavra sobre as atrocidades cometidas pelo Estado de Israel.

 

Senhor presidente, sabemos o objetivo principal da visita, além de discutir as relações comerciais entre Brasil e Israel, é selar o Acordo de Livre Comercio com o MERCOSUL, que está em debate aqui no Congresso. Oportunidade para que façamos o debate necessário, para que o Brasil sinalize para o mundo que não aceita fechar acordos com nações que desrespeitam os direitos humanos, patrocinam a guerra e negam a outra nação o direito a sua soberania. São essas questões que deveriam merecer a atenção do parlamento brasileiro, esses deveriam ser os elementos postos em debate e não uma homenagem que legitima a política genocida praticada pelo Estado de Israel.

 

Muito obrigado,

 

Ivan Valente

Deputado Federal PSOL/SP