| Anistia: luta, mobilização social e conquista |
| Ter, 01 de Setembro de 2009 01:00 | |||
|
Sr. Presidente, cumprimento a Mesa em nome do Ministro Paulo Vannuchi, os lutadores sociais, os anistiados, os parentes de presos políticos desaparecidos e todos os presentes. Considero esta uma data importante, pois são 30 anos da luta pela anistia. A anistia não foi uma dádiva dos militares, mas uma luta, uma mobilização social, uma conquista. Foi o resultado, naquele momento de correlação de forças, do que era possível se fazer. Não houve punição para torturadores. Trinta anos depois, ainda não abrimos os arquivos da ditadura militar. Trinta anos depois, as ossadas da guerrilha do Araguaia continuam sendo perseguidas. Todos, presos políticos e aqueles que participaram do movimento da anistia, lutamos por isso: pelo direito à verdade e à memória. Assim poderemos, passados trinta anos, chegar a esta Casa e prestar um tributo a tantos lutadores socialistas, que desapareceram, morreram na tortura e foram exilados, os quais, embora não estejam mais entre nós, foram simbolicamente muito importantes para o Brasil. Presto meu tributo a Apolônio de Carvalho, internacionalista que entendo ser, talvez, um dos maiores revolucionários do País, que lutou não apenas no Brasil, mas na Espanha e na resistência francesa, pela democratização, contra a ditadura (palmas), por fundar um partido de trabalhadores. Presto meu tributo a Carlos Marighela (palmas), a quem se cobriu de maldição porque resistiu ao golpe militar armado. Entendo que este momento é de reflexão. E os senhores perceberam que aqui não está a grande mídia nem todos os Líderes partidários? Este é um assunto que dói, por isso lhes digo que devemos avançar. E peço ao Ministro Paulo Vannuchi, que conheço desta tribuna e sei que tem sido um batalhador, que continue essa luta, pois não é mais possível que anistiados políticos continuem a mendigar aquilo que é seu por direito. (Palmas.) Não é possível que jornalistas e articulistas continuem chamando reparação política e econômica de bolsa ditadura. Não é possível que jornais, que cederam suas peruasC14 para recolher presos políticos, descaradamente tachem a ditadura de ditabranda, porque, segundo eles, a nossa não foi tão dura quanto a dos demais países latino-americanas. A lembrança é importante não só porque nos faz lembrar, mas para resgatar a memória e a verdade. E temos de ser intransigentes no direito à verdade, porque isso os encosta na parede. Hoje muito se fala em democracia. A grande imprensa brasileira, que apoiou a ditadura militar, é a campeã da defesa à democracia, mas não tem interesse em resgatar a memória real do País. Isso vai ser feito não só por nós, que participamos da resistência à ditadura, pelos que sofreram com o regime militar, pelos seus familiares, a quem muito devemos. Faço, particularmente, uma homenagem especial às mães dos presos políticos. Elas foram tão fundamentais como as Mães da Praça de Maio, na Argentina, que desempenharam papel essencial na história daquele país. Precisamos resgatar a memória do País, para que a juventude brasileira possa saber o que houve, quem lutou pela liberdade, quem trouxe democracia ao Brasil. Isso foi feito com muito sangue e muita luta, em nome de ideais que devem continuar a existir. Vamos e venhamos, foram os socialistas, aqueles que queriam superar o regime iníquo do capitalismo, que vieram lutando contra o regime militar, que lutaram pela democracia no Brasil, que estiveram à frente dessa batuta. Essa luta continua na ordem do dia. Queremos democracia, solidariedade, igualdade social, valores que se construam numa nova sociedade. A lógica existente hoje — da competição, da concorrência, do consumismo, de uma sociedade individualista — precisa ser combatida. Isso deve ser feito em memória daqueles que tombaram, em memória daqueles que lutaram, em memória daqueles que deram a vida contra a ditadura militar, entre os quais também cito o nome de Carlos Lamarca, um grande lutador social do nosso Brasil.(Palmas.) Um grande abraço a todos. Obrigado. Dep. Ivan Valente - PSOL/SP Braasília, 01 setembro de 2009.
|











