| É hora de democratizar as comunicações no país |
| Qua, 18 de Novembro de 2009 15:56 | |||
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Sr. Presidente, Senhoras e Senhores Deputados Nesta sexta-feira, terá início em meu estado a Conferência de Comunicação de São Paulo, a etapa estadual da Conferência Nacional de Comunicação, que acontece de 14 a 17 de dezembro aqui em Brasília. Trata-se de um processo que, mesmo antes de sua conclusão, já marcou a luta daqueles que há décadas reivindicam mudanças nas comunicações em nosso país. A Confecom é fruto da mobilização popular de diversos segmentos que seguem excluídos da possibilidade de participar das definições da regulamentação e das políticas públicas de comunicação no Brasil. Por fim, a última resolução da Comissão Organizadora Nacional proibiu a votação de propostas nos estados, tudo isso porque os empresários perceberam que não dariam conta de mobilizar o segmento para participar das plenárias finais estaduais. Cedendo mais uma vez à chantagem da grande mídia, a maioria da sociedade civil com acento na CON recuou e tirou dos estados a possibilidade de fazer valer sua vontade. O resultado será uma etapa nacional com milhares de propostas, controlada pelo absolutismo dos donos da mídia e entregue à passividade do governo. Por fim, Senhor Presidente, gostaria de deixar registrado aqui o meu repúdio ao governador José Serra e ao Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que possuem relações harmoniosas com a mídia local e nacional. Ambos não convocaram as respectivas etapas da Conferência, preferindo boicotar a discussão da comunicação para milhões de pessoas e dificultando ao máximo sua participação no processo, em vez de se indispor com seus parceiros na mídia nas vésperas de um ano eleitoral. A demanda da sociedade civil foi remetida para a Assembléia Legislativa, que também não viabilizo a estrutura necessária para a participação da população paulista na etapa estadual. Esta não é a primeira vez que o Governo de São Paulo desrespeita a participação da sociedade nas discussões de políticas públicas e nega o apoio para realização de conferencias. Têm sido comum as dificuldades e desrespeito do governo em relação à participação popular na definição de políticas públicas e às deliberações de conselhos, como é o caso da saúde. São Paulo concentra boa parte da produção e consumo de cultura e comunicação e também boa parte das organizações que lutam por sua democratização. Os grandes conglomerados da mídia têm sede em São Paulo: Folha/UOL, O Estado de São Paulo, Grupo Abril, Grupo Bandeirantes, Rede Record, SBT, Rede Globo.
É, portanto, Senhoras e Senhores deputados, uma grande falta de compromisso com a História não apoiar este debate. Mas São Paulo, apesar do descaso de seu governador, realizará a 1ª Conferencia Estadual de Comunicação, com mais de mil participantes, graças ao empenho de parlamentares, de prefeituras municipais, dos movimentos sociais organizados pela democratização da comunicação.
Parabenizo e deixo aqui então o meu apoio à Comissão Paulista Pró-Conferência, responsável por garantir a participação popular de São Paulo na Confecom, reafirmando nosso compromisso com a democratização da mídia e com a luta de todos os movimentos por outra comunicação em nosso país. Que a Confecom seja o início de um processo real de transformação, para dar voz ao nosso povo e força à nossa democracia. Ivan Valente
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