| Banda Larga: o que ficou de fora. Dep Ivan Valente |
| Ter, 11 de Maio de 2010 20:27 | |||
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Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Na semana passada, o governo federal apresentou publicamente a proposta do Plano Nacional de Banda Larga, que deve ser publicada em decreto nos próximos dias. A medida deve ser celebrada. O Estado brasileiro finalmente reconheceu que é preciso agir para enfrentar os enormes obstáculos na garantia do acesso do conjunto da população brasileira à internet. Como o próprio governo reconhece, o acesso à internet no Brasil hoje é caro, de baixa qualidade e ofertado em velocidades lentas, resultado de um modelo que, historicamente, deixou para o mercado resolver aquilo que deveria ser tratado como um direito do povo. Segundo dados do governo federal, a internet no Brasil é lenta: só 33% das conexões são de até 256 kbps e apenas 1% das conexões são superiores a 8Mbps. O Plano apresentado pretende massificar a banda larga, levando o acesso a 40 milhões de domicílios, através de duas iniciativas principais: isenções fiscais para operadoras e fabricantes de equipamentos, e oferta do serviço a preços mais acessíveis a partir da atuação, no atacado, da Telebrás. No entanto, ainda não está claro até onde vai a oferta de tráfego de dados pelo governo. Oficialmente, o plano prevê a oferta em “localidades sem prestadores de serviço de comunicação com preço elevado ou baixa atratividade econômica em áreas de baixa renda nas regiões metropolitanas”. Em teoria, o Estado poderá entrar onde não haja oferta adequada. Mas esta redação, genérica demais, não resolve a questão. A experiência já nos mostrou que o mercado não atenderá o conjunto da população brasileira, mesmo recebendo subsídios do governo. A lógica das grandes prestadoras de serviço não é garantir o direito da população, e sim auferir lucro. Isso seguirá deixando de fora milhões de brasileiros, já excluídos do acesso à informação e da possibilidade de exercerem seu direito à comunicação, via produção e difusão de conhecimento e cultura.
O modelo apresentado no Plano Nacional da Banda Larga, no entanto, está centrado na oferta do serviço pelo mercado, sem determinar regras efetivas para garantir a boa prestação do serviço. Sem isso, corremos o risco de repetir, na expansão da oferta da banda larga no país aquilo que cansamos de ver na prestação do serviço de telefonia fixa ou móvel, com as operadoras sendo as campeãs nos órgãos de defesa do consumidor. Todo este debate ficou claro na audiência pública que realizamos em março justamente na Comissão de Defesa do Consumidor desta Casa. Para a imensa maioria dos participantes, é mandatório que o governo federal estabeleça o regime público para a internet no país.
Fica claro, portanto, que será necessário muita mobilização e pressão popular para garantir que o Plano saia do papel e que, de fato, leve um serviço de banda larga de qualidade para todos os brasileiros e brasileiras, sem exceções. O Brasil precisa de uma política de acesso à rede efetivamente inclusiva e sustentada no interesse público, onde o Estado não se limite a um papel regulador – que neste caso ainda é limitado – e assuma o compromisso de efetivação deste direito da população.
A proposta do Plano Nacional de Banda Larga anunciada no dia 5 de maio marca o reconhecimento do Estado em relação à necessidade urgente de ações do poder público para enfrentar a grave desigualdade existente hoje no que diz respeito às condições de acesso à banda larga no país. As organizações da sociedade civil abaixo-assinadas saúdam a iniciativa e reconhecem as medidas ali contidas como um passo importante – ainda que não suficiente – para a democratização do acesso. Entendemos que qualquer política pública para banda larga deve estar baseada na garantia da universalização, da qualidade e da continuidade do serviço, promovendo a acessibilidade econômica a partir do reconhecimento das desigualdades sociais, de gênero e étnico-raciais do país. garantindo a acessibilidade econibiidade importante - ainda e[a pode selecionar iconografiaanda larga no Brasil. MixMIX mmmssadjoifejioadsfkljsc Mais do que um simples serviço, a internet é uma rede que integra diferentes modalidades de serviços e funciona como um espaço de convergência de distintas perspectivas sociais, culturais, políticas e econômicas. O acesso à internet em alta velocidade é hoje essencial para a efetivação dos direitos humanos e da democracia e para a realização plena da diversidade cultural brasileira, ao possibilitar a afirmação das identidades locais e regionais e o intercâmbio entre as diferentes culturas.
A despeito de sua importância estratégica, o acesso à banda larga no Brasil é hoje limitado a 20% das residências. O serviço é caro e ruim, como indica o alto número de reclamações a entidades de defesa do consumidor. Dados da União Internacional de Telecomunicações mostram que, em 2009, os custos com acesso à banda larga representaram em média 4,58% da renda per capita do brasileiro, valor altíssimo em comparação a países de realidade similar. Os dados demonstram que o modelo atual, baseado unicamente nas regras de mercado, não dá conta de responder às necessidades do país.
Reconhecemos como positiva a implementação de um processo permanente e salientamos a necessidade da participação ativa da sociedade civil no acompanhamento e fiscalização da execução do Plano. Neste processo, é fundamental que sejam reconhecidas as articulações em curso, como o desenvolvimento do marco civil da Internet e a reforma da Lei de Direitos Autorais e o acúmulo de debates prévios em espaços participativos, especialmente nas Conferências Nacionais de Comunicação e Cultura e no Fórum de Cultura Digital. Com referência neste acúmulo, entendemos que o Plano deve se basear nas seguintes diretrizes:
Acreditamos que a observação desses princípios e diretrizes pode garantir uma política de banda larga efetivamente inclusiva e sustentada no interesse público. Brasília, 7 de maio de 2010
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