| CPI da Dívida: Câmara confirma prorrogação até final de março |
| Qui, 17 de Dezembro de 2009 16:46 |
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A Câmara dos Deputados confirmou, em votação no plenário, nesta quarta-feira 16, a prorrogação dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Dívida Pública, até o dia 26 de março de 2010. Além disto, na reunião desta semana, a CPI aprovou importantes requerimentos de informação e recebeu o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda no governo de José Sarney.Leia o relatório do assessor econômico da Liderança do PSOL, Rodrigo Ávila.
Hoje (16/12), o Plenário da Câmara votou e aprovou o Requerimento de prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Dívida Pública até final de março de 2010, que já havia sido aprovado por unanimidade há 15 dias pelos deputados integrantes da CPI. Aprovados importantes requerimentos de informação e audiências A reunião da CPI aprovou importantes requerimentos de informação, que solicitam o envio à CPI de todas as análises feitas pelo Tribunal de Contas da União sobre a dívida externa, listagem de todas as resoluções do Senado que autorizaram empréstimos externos, estatísticas sobre estoque e pagamentos da dívida externa, dentre outras relevantes informações, todas elas com início em 1970. Também foram aprovadas importantes audiências públicas, com a presença de João Pedro Casarotto (membro da Febrafite), Aldo Arantes (autor do livro “O FMI e a nova dependência brasileira”), dentre outros. Audiência Pública A CPI também realizou hoje Audiência Pública com o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda e professor da Fundação Getúlio Vargas. Bresser iniciou sua fala criticando a política monetária, afirmando que as altas taxas de juros brasileiras não fazem o menor sentido. Tais taxas foram estabelecidas para atrair o capital externo, e para cumprir o regime de “Metas de Inflação”, e provocam o crescimento da dívida interna. Desta forma, o Brasil é o país que menos cresce entre os “BRICs” (Brasil, Rússia, Índia e China), e apresenta uma taxa de crescimento menor que a metade da média destes outros países. Bresser também ressaltou que, diferentemente do Brasil, tais países controlam a taxa de câmbio, e executam controles sobre o fluxo de capitais, enquanto o Brasil está ao sabor dos fluxos especulativos. Nesta situação, com juros altos e liberdade de fluxos financeiros, ocorre a entrada maciça de capital estrangeiro especulativo, o que torna o câmbio sobrevalorizado e prejudica a indústria nacional, pois a valorização do Real barateia os importados, e dificulta as exportações. Neste sentido, propôs a criação de uma "Lei de Responsabilidade Cambial". Bresser também criticou o uso da poupança (dívida) externa para financiar o país, defendendo que a principal fonte de financiamento seja os recursos do próprio país. Os deputados presentes comentaram a fala de Bresser, sendo que Paulo Rubem Santiago (PDT/PE) questionou a política de altas taxas de juros para comprar a confiança dos investidores estrangeiros. As decisões sobre tais assuntos não podem ser tomadas sem a participação de especialistas e da sociedade, até porque as operações do Banco Central são cobertas ilimitadamente pelo Tesouro. Somente nos 10 primeiros dias de dezembro, foram emitidos R$ 20 bilhões em títulos da dívida interna, a maior parte com juros pré-fixados (ou seja, definidas no momento da emissão), com taxa média de mais de 11% ao ano. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) não pôde intervir pois se encontrava em Plenário para acompanhar a votação do Requerimento de prorrogação da CPI que, como dissemos, foi aprovado. Foto: Guilherme Alves / Agência Câmara. |
| Última atualização em Sex, 05 de Fevereiro de 2010 14:51 |








