| “Continuarei firme na luta pela ética e pela justiça” |
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| Qua, 21 de Dezembro de 2011 17:09 | |||
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CONTINUAREI FIRME NA LUTA PELA ÉTICA E PELA JUSTIÇA
Senhor Presidente, Senhores Senadores, Senhoras Senadoras,
Este deve ser o meu último pronunciamento na condição de Senadora do Pará, pelo menos neste ano. É uma sensação por demais dividida, pois por um lado tenho o sentimento claro de dever cumprido, por outro não posso deixar de registrar meu sentimento de indignação. Ao chegar nesta Casa, tendo sido por três mandatos vereadora da capital da Amazônia, tinha a consciência dos enormes desafios que me aguardavam. Eu seria, junto com meu irmão de luta Randolfe Rodrigues, parte da pequena e aguerrida bancada do PSOL. Nosso partido faz oposição ao governo Dilma, uma oposição programática, socialista e de esquerda. Nossa tarefa é mostrar o quanto distante dos interesses do povo está o atual governo, desnudando as suas prioridades e os custos de suas escolhas. E sabia que ser oposição é sempre a trincheira mais difícil. Eu sabia que também seria necessário nos diferenciar da oposição conservadora. Esta oposição não possui diferenças substanciais em termos programáticos com o governo atual, mas faz poses de defensores da ética. O recente livro sobre a privataria tucana, em nada diferente dos mensalões petistas, mostra o quanto nosso partido é necessário para separar o joio do trigo. Eu tinha a convicção de que minha principal tarefa era representar de forma coerente e corajosa todo o povo do meu estado. Para isso era essencial que aqui estivesse uma mulher, trabalhadora e, principalmente, uma política ficha limpa. Minha presença representava a esperança do povo de ter em seus representantes a expressão de seus interesses. Em cada dia que passei aqui me dediquei a honrar esta delegação. Não vacilei em denunciar a precariedade dos serviços públicos no meu estado e, em especial na cidade de Belém. Estive atenta a cada acontecimento relevante, seja exigindo que os excluídos fossem ouvidos, como no caso da construção da hidrelétrica de Belo Monte, seja fazendo minhas as lágrimas das mães de adolescentes chacinados por esquadrões da morte na capital paraense. Fui uma ardorosa defensora dos direitos humanos. Não me intimidei com as ofensas homofóbicas de quem quer que seja. Empenhei-me em desmantelar a rede do tráfico humano, que vitimiza especialmente meninas pobres do interior deste imenso país. Votei sempre com minha consciência, coerente com as orientações partidárias e favoravelmente aos interesses da maioria do nosso povo. Votei contra a privatização dos correios, aeroportos e hospitais universitários. Votei contra a prorrogação da DRU. E votei por um salário mínimo mais digno e por mais recursos para a saúde pública. Ajudei outros senadores a refletir sobre a necessidade de mais recursos para a educação, especialmente sobre a importância de termos 10% do PIB direcionados a educação pública. Nestes dez meses que passei nesta Casa me empenhei na aprovação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o tráfico nacional e internacional de pessoas no Brasil. Viajamos por várias cidades, ouvimos depoimentos, ouvimos autoridades e entidades defensoras dos direitos humanos. O relatório final deste importante trabalho é uma humilde contribuição desta mulher para que milhares de brasileiros, especialmente brasileiras, deixem de ser vitimadas por esta máfia. Ser senadora foi um privilégio, mas é apenas um capítulo na luta que desenvolvo. Saio desta Casa de cabeça erguida, tendo a consciência tranqüila. Continuarei na luta pelos direitos dos trabalhadores, pelos direitos humanos e pela construção de uma nova sociedade, justa e igualitária, uma sociedade socialista. Perdi uma batalha. Nesta batalha enfrentei o poderio econômico de um dos mais notórios corruptos de nosso país. Venceu o dinheiro e a pressão política subterrânea. Mas queria deixar claro para todos os senhores e para todas as senhoras que quem perde com minha saída não é a senhora Marinor Brito, mas todo o povo paraense e brasileiro. Faço minhas as palavras do ministro Joaquim Barbosa, que disse que “não há qualquer dispositivo na Constituição Federal autorização para que o voto de qualquer juiz tenha peso maior do que o voto dos demais”. A decisão do STF, com o voto de minerva do ministro Peluzo, é uma afronta ao povo brasileiro. Toda a decisão foi tomada por procedimentos no mínimo estranhos. Em primeiro lugar toda a imprensa nacional divulgou a visita de um conjunto de parlamentares do PMDB ao presidente do STF às vésperas da citada decisão. Segundo, a mesma imprensa noticiou que desta visita havia sido feita uma espécie de troca, a qual consistiria em o ministro Peluzo desempatar a votação sem aguardar a posse da ministra Weber e por outro lado o PMDB viabilizar o reajuste pretendido pelos juízes. Mais surpreendente foi a agilidade de tramitação do processo após a decisão da tarde quarta-feira (14 de dezembro). Horas depois chegava ao TRE do Pará um telegrama do STF comunicando a decisão. Em apenas seis horas o ex-governador Jáder foi diplomado, sem que eu tenha sido informada que meu diploma tenha sido cassado. Todos aqueles que acreditaram na lei da ficha limpa e estão presenciando o STF jogar na lata do lixo as esperanças de moralização da política brasileira. Todos aqueles que acreditaram que um mandato de senador não deveria ser um instrumento para negociatas e enriquecimento ilícito. Todos aqueles que acreditaram na possibilidade do nome do Pará não mais ser associado a falcatruas, negócios obscuros, distribuição de cargos e escândalos de toda ordem. Amanhã estarei fazendo o que sempre fiz na vida. De forma honrada, continuarei trabalhando pelos interesses do povo trabalhador brasileiro. De forma decidida estarei dando minha contribuição em cada luta, em cada greve, em cada clamor por justiça. Não abandonarei a luta para reaver o mandato. Tudo que estiver ao meu alcance será feito para reformar esta absurda decisão. Enquanto isso, diariamente, denunciarei ao Brasil inteiro o verdadeiro perfil desse que ocupará o meu lugar. Seu passado de falcatruas não será esquecido. Amanhã estarei fazendo o que sempre fiz na vida. De forma honrada, continuarei trabalhando pelos interesses do povo trabalhador brasileiro. De forma decidida estarei dando minha contribuição em cada luta, em cada greve, em cada clamor por justiça. Como lutadora, mulher amazônica, socialista e revolucionária permanecerei na luta, sempre! Faço minhas as palavras do eterno Raul Seixas: "Não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida. Nada acabou”. Agradeço, por fim, o carinho com que fui tratada, tanto pelos senadores e senadoras, como por cada um dos servidores desta Casa. Não digo adeus, digo até logo.
Plenário do Senado Federal, 21 de dezembro de 2011 Senadora Marinor Brito – PSOL - PA
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