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Chico Alencar fala sobre a violência no Rio de Janeiro
Qui, 05 de Agosto de 2010 12:13
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O deputado Chico Alencar, em discurso no plenário da Câmara, na quarta-feira 4, falou sobre a violência por qual passa a população do Rio de Janeiro. Chico lembrou de dois casos recentes que chocaram a cidade. Para o deputado “esses gravíssimos fatos, que enlutam de maneira definitiva famílias e trazem uma dor indizível, precisam ser também objeto da ação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados”.

O primeiro caso citado foi o atropelamento e morte do jovem músico Rafael Mascarenhas de Morais, que andava de skate dentro do um túnel interditado. O segundo caso foi o assassinato de uma criança de 11 anos, Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade, atingido por um tiro, disparado numa troca de tiros entre a polícia e traficantes, quando estava dentro da sala de aula de uma escola pública.

Leia a íntegra do discurso de Chico Alencar.

 

Sr. Presidente, quero fazer um registro de pesar. Em julho, no Rio de Janeiro, duas jovens vidas foram ceifadas.
A vida do jovem Rafael Mascarenhas Guimarães foi ceifada quando brincava de skate em um túnel interditado. Quando abordados por policiais, os que passaram por cima desse rapaz foram imediatamente liberados. E há, ainda, denúncias de propina.
Quem é o bicho papão da sua comunidade? Os tiros, respondeu o menino de 11 anos, Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade, ao repórter Sérgio Ramalho, do jornal O Globo.
Dias depois de sua entrevista, Wesley foi assassinado com uma bala em seu peito, quando assistia aula em um CIEP em Costa Barros, vítima de uma arma de guerra usada pela polícia no confronto com traficantes. No momento em que foi atingido ele estava com um lápis na mão, a arma que usava para tentar mudar a realidade de violência e medo que o cercava.
A Diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, Denise Guterres, alerta que existem pelo menos 200 escolas situadas em áreas de conflito no Rio de Janeiro. Isso deixa vulneráveis estudantes, professores e a população em geral. Ela afirma: Tenho feito denúncias à Secretaria de Segurança, mas não existe comunicação entre os setores de educação e segurança. Quando há uma operação policial, as escolas não são avisadas e não têm autonomia para suspender as aulas. A escola é pega de surpresa e tem que funcionar.
O cenário de risco é confirmado por relatórios da organização não governamental Viva Rio, criada por representantes de vários setores da sociedade civil como resposta à crescente violência no Rio de Janeiro: O posto de saúde na Favela da Quitanda, em Costa Barros, vizinha ao CIEP Rubens Gomes, tem servido de trincheira para policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) nas operações de combate ao tráfico.
No último dia 23 de julho, em frente à igreja da Candelária, no centro do Rio, familiares e representantes de movimentos sociais fizeram manifestação para lembrar e denunciar a impunidade das chacinas da Candelária e de Acari. As histórias são muitas, mas a dor é a mesma.
Entendo que esses gravíssimos fatos, que enlutam de maneira definitiva famílias e trazem uma dor indizível, precisam ser também objeto da ação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Agradeço a atenção.