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“Reitero agora nossa solidariedade a esses lutadores”, diz Chico Alencar
Qua, 16 de Junho de 2010 21:53
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O deputado Chico Alencar, em discurso no plenário da Câmara, nesta quarta-feira 16, prestou solidariedade ao deputado Domingos Dutra e a Manoel da Conceição, que estão em greve de fome desde a última sexta-feira por causa da decisão da executiva nacional do PT em apoiar a candidatura de Roseana Sarney ao governo do Maranhão.

Chico Alencar leu trechos do manifesto do PSOL maranhense sobre a união do Partido dos Trabalhadores com a oligarquia Sarney.: “O PT – sigla, não o PT que ajudamos a construir, poderá se aliar com o que há de mais atrasado e conservador na política nacional: a oligarquia Sarney. Nas palavras do próprio Manoel da Conceição, lutador, líder camponês, “isto representa a negação de tudo que temos afirmado nas nossas palavras e ações”.

Leia a íntegra do discurso de Chico Alencar.

O jornal da Câmara, estranhamente, não registrou hoje a greve de fome dos companheiros Domingos Dutra e Manoel da Conceição aqui no plenário! Não é cabível, política e humanamente, ficarmos insensíveis a essa situação dramática.

Como diversos outros parlamentares, desde ontem à noite, reitero agora nossa solidariedade a esses lutadores, registrando nos anais da Casa trechos do manifesto de membros da direção do PSOL, do Maranhão.

Um chamado aos valorosos companheiros que contribuem na construção da luta concreta dos trabalhadores do campo e da cidade e que continuam filiados ao PT.

“Nas duas últimas décadas, a esquerda brasileira foi unificada em torno da palavra Lula lá. O Partido dos Trabalhadores foi construído dentro das lutas sociais e, portanto, representava o avanço nas propostas de uma sociedade desatrelada dos interesses historicamente forjados no viés colonialista e entreguista, que em sua maior ação contra a democracia engendrou um duro golpe militar financiado por interesses de dominação estrangeira. O significado deste propósito corroborava as afirmações propostas por Caio Prado Jr. em seu livro “A Revolução Brasileira”, de que o Brasil será uma grande nação quando deixar de ser um Brasil-empresa-para-os-outros e se tornar um Brasil-empresa-para-s, onde as riquezas e seu capital humano fossem levados a termo. (...)

Paira sobre todo o conjunto da esquerda no Brasil um sentimento de frustração. O fracasso histórico que produziu esse sentimento tem seus alicerces lá atrás. O ciclo político de ilusão eleitoral: a vitória implicaria o início das transformações sociais.

As organizações políticas e sociais que compõem a esquerda no país, quando conseguem o “Lula Lá”, passam a viver uma esquizofrenia. Uma parte deste conjunto é obrigada, para subsistir, a rebaixar seu horizonte político, afirmando que Lula não poderia fazer mais do que vem fazendo. Outra parte substitui a esperança pelo rancor e o centro da luta passa por derrotar o Lula. Mas essa esquizofrenia é só aparente. Ambos os lados possuem a mesma concepção, por que em ambos os casos a centralidade é ainda superar o Lula, (...) colocar em discussão com o povo os limites da democracia burguesa.

No Maranhão temos como perspectiva real agora uma aliança feita por cima e com apoio de homens que se venderam por trinta dinheiros. O PT – sigla, não o PT que ajudamos a construir, poderá se aliar com o que há de mais atrasado e conservador na política nacional: a oligarquia Sarney. Nas palavras do próprio Manoel da Conceição, lutador, líder camponês, “isto representa a negação de tudo que temos afirmado nas nossas palavras e ações.”.

A luta contra a oligarquia Sarney tem base na luta dos povos por seus territórios. Da quebradeira de coco, do quilombola, dos trabalhadores rurais que sofrem com o trabalho escravo, do indígena, passando pelo pequeno produtor sem terra. É a luta dos trabalhadores do campo e da cidade. É a luta por uma Universidade Estadual do Maranhão com autonomia e com estrutura para educar seu povo que por ora tem que ver sua principal instituição de ensino superior paralisada, sucateada, com seus trabalhadores explorados. A oligarquia sabe por que não pode “dar asas” a UEMA.

Diante de tão terrível perspectiva é que nós, dirigentes do Partido Socialismo e Liberdade, viemos agora conclamar todas e todos os lutadores que ainda estão na sigla PT para, juntos, encamparmos as fileiras da luta por um Maranhão livre, democrático e fraterno no PSOL, partido que foi criado exatamente para ser o abrigo da esquerda democrática. Construindo a frente de esquerda no Maranhão com PCB, PSOL e PSTU e romper com Dilma (aliada de Sarney) e marcharmos juntos com Plínio de Arruda Sampaio à presidente. Juntos construiremos as novas bases para o reascendo dos movimentos sociais, através de um projeto popular, e de uma nova trajetória de um partido emanado na força do povo.

Sabemos o quanto será difícil, pois não basta ter vontade apenas para construirmos um programa que faça com que as massas lutem pelo socialismo. Mas também sabemos que a consciência adquirida na luta em torno das mudanças é um elemento essencial para se superar as dificuldades.”

Assinam

Carlos Santiago, Nonato Masson e Professora Socorro de Paço do Lumiar, da Executiva estadual do PSOL/MA.

Agradeço a atenção,

Sala das Sessões, 16 de junho de 2010.

Chico Alencar

Deputado Federal, PSOL/RJ