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Em discurso no plenário da Câmara, na terça-feira 16, o líder do PSOL, deputado Ivan Valente, prestou solidariedade ao deputado federal Domingos Dutra (PT/MA) e ao líder camponês Manoel da Conceição, que estão em greve de fome contra a decisão do diretório nacional do PT de apoiar a candidata do PMDB ao governo do Estado, Roseana Sarney. Dutra e Conceição estão em greve de fome desde a sexta-feira 11 e só se alimentam com água de coco. O diretório estadual do PT queria fechar apoio ao deputado Flávio Dino (PCdoB/MA), mas a executiva nacional decidiu pela candidatura de Roseana.
Ivan Valente criticou a posição do PT nacional por estarem negando a decisão da maioria dos militantes. “Eu não posso conceber que, havendo um diretório e a vontade manifesta democrática da maioria dos militantes do PT do Maranhão, tenham decidido por um caminho em que a Direção Nacional, em nome de conveniências perversas, faz uma intervenção desse porte”.
Leia a íntegra do discurso do deputado Ivan Valente:
Sr. Presidente, antes de abordar o tema que me traz aqui, quero deixar registrado nesta Casa o nosso apoio à greve dos servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo, onde estivemos na quinta-feira, em apoio, e onde haverá uma assembleia, amanhã, possivelmente com mais de 10 mil pessoas. Vamos exigir que o Governo do Estado de São Paulo e o Tribunal de Justiça abram negociações com os trabalhadores da Justiça do Estado de São Paulo, porque o assédio moral, a pressão, o arrocho fiscal que estão sofrendo não é admissível. Eles ocuparam o Fórum João Mendes na quinta-feira, fecharam as ruas e agora estão em assembleia permanente na Praça João Mendes. O movimento cresce em todos os fóruns de São Paulo. Aqui nós trazemos uma análise dessa greve como um todo. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o que também me traz à tribuna, como Líder do PSOL e Deputado da Esquerda, é a minha solidariedade, meu abraço solidário ao companheiro Domingos Dutra, Deputado Federal do Maranhão, lutador social. Sempre esteve à frente nas lutas em defesa da reforma agrária naquele Estado e em defesa da construção de um partido transformador. Quero, particularmente, declarar o meu apoio ao companheiro Manoel da Conceição, que conheço da fundação do Partido dos Trabalhadores. Foi um dos 15 primeiros dirigentes da primeira direção do PT. Companheiro testado na luta, torturado pela ditadura, como vários aqui — inclusive este que vos fala — , perdeu, na tortura, um dos membros do seu corpo, e teve um comportamento extremamente coerente e sério em resposta aos títeres da ditadura militar. Esse companheiro, líder camponês do Vale do Pindaré, está aqui neste plenário, agora, fazendo greve de fome, pedindo ao Partido dos Trabalhadores coerência política. É disto que se trata: coerência política com um projeto, com um programa e com uma história. Não se vendem companheiros como Domingos Dutra, Manoel da Conceição e Terezinha, para fazer alianças com a oligarquia do Maranhão, que controla todos os meios de comunicação e o poder econômico naquele Estado em nome da governabilidade. Eu não estou aqui para ensinar nenhum partido. Eu saí do Partido dos Trabalhadores para ir para o Partido Socialismo e Liberdade também em nome da coerência, devido ao desvio programático daquele partido e também aos desvios éticos daquele partido. Mas o que está em jogo aqui é um debate que precisa sensibilizar a todos. Os companheiros Domingos Dutra e Manoel da Conceição entraram em greve de fome, e isso é um recurso absolutamente legítimo. O PT sempre o observou, e vários militantes desse partido sabem que esse foi um recurso muito usado contra o regime militar, na cadeia, contra a tortura, contra a violência, contra a falta de liberdade. Nós mesmos o utilizamos duas vezes na nossa vida militante. Esse é um recurso justo, para chamar a atenção daqueles que dirigem hoje o Partido dos Trabalhadores. Eu não posso conceber que, havendo um diretório e a vontade manifesta democrática da maioria dos militantes do PT do Maranhão, tenham decidido por um caminho em que a Direção Nacional, em nome de conveniências perversas, faz uma intervenção desse porte. Digo que o que está em jogo aqui é a coerência partidária, as alianças que se fazem, a governabilidade em nome da qual se fazem alianças. E digo que o PSOL tem moral para solicitar isso, porque não tem essa incoerência no currículo — e este militante também pode fazê-lo. Atender às reivindicações que estão sendo feitas por esses militantes e defender a justeza e a solidariedade da sua luta é uma obrigação de todos os democratas brasileiros. Quero ligar-me pessoalmente a essa luta. Entendo que é um momento de sensibilização de corações e mentes, não só da sociedade no Maranhão, mas internamente, dentro de um partido político que ainda se diz democrático. Que atendam, sim! Não neguem essa forma de luta; não neguem o direito dos companheiros de reivindicarem; não neguem os direitos deles de exporem, sim, sua divergência, porque quem está com razão, quem está com a verdade, quem está com a maioria do partido lá, quem está com os interesses mais legítimos do povo certamente são esses companheiros que têm uma história, têm uma trajetória de luta admirável. Por isso, a nossa solidariedade a Domingos Dutra, Manoel da Conceição e Terezinha Fernandes.
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