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Ivan Valente destaca luta dos trabalhadores de universidades públicas
Qui, 10 de Junho de 2010 12:45
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Em discurso no plenário da Câmara, na quarta-feira 9, o líder do PSOL, deputado Ivan Valente, alertou sobre a ameaça de morte ao presidente do PSOL no Rio Grande do Norte, Sandro Pimentel, que recebeu uma carta na qual um atentado estaria programado para o dia 12 de junho, data da convenção estadual do partido.

O deputado informou que a Secretaria de Segurança Pública do Estado foi notificada e foi solicitada a abertura de investigação. “Queremos imaginar que não haja qualquer envolvimento relacionado à pré-candidatura do companheiro a cargo majoritário no Estado. A bancada do PSOL quer manter a solidariedade ao nosso companheiro, repudiar todo tipo de prática que atente contra o Estado de Direito e exigir das autoridades a referida apuração”, afirmou.

Ivan Valente também destacou o manifesto da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (FENAJUFE) pela negociação efetiva dos Projetos de Lei nºs 6.613, de 2009, e 6.697, de 2009, que tratam dos planos de cargos e salários. Os servidores do Judiciário estão em greve há mais de 30 dias.

O deputado pronunciou ainda solidariedade aos trabalhadores da Universidade de São Paulo, que resistem às pressões inclusive de corte de salário, e trabalhadores de outras universidades estaduais paulistas.

Leia a íntegra do discurso do deputado.

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, os funcionários da USP, fazendo uso de um instrumento legítimo e constitucional, que é o direito de greve, resistem aos ataques aos direitos já adquiridos com muita luta na história da categoria e reivindicam novas conquistas que reparem os danos sofridos com o processo de sucateamento das universidades públicas vivido no último período. Não é só a USP que está em greve. Os trabalhadores da Unicamp e da UNESP também seguem lutando e pressionando o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) para que haja uma solução para a questão.
No caso específico da USP, as tentativas de criminalização do movimento, o uso de métodos que cerceiam a democracia e o direito de manifestação dos trabalhadores e o desconto dos dias parados como forma de tentar quebrar a greve fizeram com que a reação por parte da categoria fosse mais incisiva. Depois de confirmado o desconto do salário de cerca de mil funcionários que participam da greve, a indignação se aprofundou na categoria e a disposição de participação dos trabalhadores, ao invés de diminuir como calculava a reitoria, aumentou.
Vale ressaltar que muitos tiveram suas contas bancárias literalmente zeradas e, segundo relata o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), não foram poucos os que os procuraram desolados, sem saber o que fazer diante da privação ao direito elementar de sustento de sua família.
Como uma forma de pressionar e exigir a solução imediata para a greve, com a retomada das negociações e o pagamento integral dos dias parados, os trabalhadores decidiram, nesta terça-feira (08/06), após Assembleia realizada em frente ao prédio da Reitoria da USP, pela ocupação pacifica daquele espaço. A movimentação tem recebido apoio também por parte dos estudantes e professores e conta com a solidariedade dos funcionários das demais universidades públicas de São Paulo.
A situação na USP exige uma resposta rápida e clara. Não podemos tolerar que os trabalhadores sejam desrespeitados e que a greve seja tratada de forma arrogante e punitiva por parte da Reitoria. As conquistas democráticas de liberdade de organização, do direito à manifestação, organização por local de trabalho e greve não podem ser renegadas ou tratadas como algo superado, como fazem os reitores e o governo de São Paulo, dentro de uma perspectiva neoliberal que privilegia as ações individuais e nega tudo que é coletivo e organizado.
Várias medidas estão sendo tomadas para garantir que a mobilização da categoria tenha um desfecho positivo. Para isso é fundamental a solidariedade e a participação ativa de outras categorias, do conjunto da comunidade acadêmica, do povo paulista em defesa da universidade pública. Além disso, a greve suscita outros debates fundamentais para a vida da USP, recolocando a discussão sobre a democratização da Universidade. Hoje mesmo, no Instituto de Física, está previsto o debate PM no campus nunca mais!, com a participação dos professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides e representantes da ADUSP, APG, DCE e Sintusp. Já amanhã, acontece, na Assembleia Legislativa de São Paulo, uma audiência pública requisitada pelo deputado estadual do PSOL Carlos Giannazi com os três reitores das três universidades estaduais paulistas.
Queremos, desta tribuna, reiterar nosso apoio ao movimento, à greve dos trabalhadores das universidades públicas paulistas e, mais uma vez, reafirmar nosso compromisso com a defesa incondicional do ensino público, gratuito e de qualidade para todos.
Muito obrigado.