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Salvar os trabalhadores e não os bancos PDF Imprimir E-mail
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Qua, 10 de Dezembro de 2008 01:00
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Não se trata apenas de uma crise de regulação

A recente crise financeira que se originou no mercado imobiliário estadunidense e se alastrou por todas as economias do mundo capitalista é a maior desde a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929. A maior em extensão e rapidez. E não se trata apenas de uma crise de regulação. Ela está cruzada com uma crise ambiental, uma crise energética e uma crise alimentar. Trata-se de uma crise que questiona o próprio padrão “civilizatório” capitalista.
A crise financeira leva até as últimas conseqüências esse modelo destrutivo. Num piscar de olhos foram despejados quase três trilhões de dólares para salvar instituições financeiras que especularam com a vida de milhões e obtiveram lucros fáceis durante todos esses anos. É um montante de capital inimaginável que, ao invés de manter direitos sociais, garantir empregos ou acabar com a pobreza, é destinado a preservar os interesses do capital financeiro em escala mundial. Isso demonstra até que ponto chegou a articulação política entre capital e governos para preservar os interesses particulares de poucos investidores-especuladores.
Esta intervenção para socorrer bancos só confirma que o Estado só é mínimo para os trabalhadores. Nos EUA se praticou uma velha modalidade já conhecida pelos brasileiros: enquanto ocorria a farra do dinheiro fácil os lucros eram privatizados e quando a bolha financeira estourou os prejuízos foram socializados.

O governo Lula insiste num modelo fracassado

Quando a crise começou Lula falou que era uma “marola”. Depois tomou medidas paliativas para enfrentá-la. E agora continua despejando recursos para aqueles que mais lucraram no período de ganhos fáceis. Tratam-se dos principais beneficiários do modelo econômico neoliberal: banqueiros, empreiteiras e agronegócios. Estes setores “doaram” 35% dos recursos de campanha para Lula em 2006.
De uma tacada o governo Lula aprovou medidas que facilitam a compra de bancos podres pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil e com Serra despejaram um crédito que totaliza 8 bilhões de reais para socorrer as montadoras. Mas, as mesmas montadoras remeteram para o exterior 11 bilhões de reais em 2008. Assim, as filiais brasileiras compensaram o prejuízo das matrizes, como demonstram o péssimo desempenho de GM e Ford nos seus países de origem e foram premiadas com recursos públicos.
GM, Ford, Fiat, Scania já deram férias coletivas para os trabalhadores. Itaú e Unibanco se fundiram, o que significa maior concentração de capital e ameaça de diminuição de postos de trabalho. O funcionalismo público virou bode expiatório, como se salários de professores e recursos em infra-estrutura fossem os culpados da crise financeira.
O Brasil é dos poucos países que frente à crise mantém os juros altos, ao invés de reduzi-los drasticamente. O modelo neoliberal transformou o país em plataforma de valorização do capital financeiro e exportador de bens primários.
O mecanismo é perverso. O governo sob o argumento de salvar a economia da recessão dá recursos aos bancos através de títulos da dívida pública. Os bancos pegam esses recursos e ao invés de emprestar e aumentar o crédito para a produção mantêm em títulos da dívida pública, considerados mais rentáveis. O Estado define uma taxa de juros altos, o que estimula o capital especulativo a continuar especulando. E a engrenagem continua funcionando do mesmo jeito sob as bênçãos dos políticos e da mídia conservadora.
Por isso, a dívida pública é a verdadeira “bolsa” para especuladores que estão atrás de ganhos de curto prazo. Os juros altos retraem investimentos e garantem a permanência desse capital por pouco tempo, o que torna o país mais vulnerável a uma crise financeira.

Salvar os trabalhadores e não os bancos

Diante desse quadro o governo brasileiro poderia caminhar em direção contrária. O Brasil se transformou num paraíso do capital financeiro. A crise internacional coloca a nu o fracasso do modelo e do próprio sistema.
Para enfrentar a crise o governo deveria baixar drasticamente a taxa de juros, centralizar o câmbio, controlar o fluxo de capitais, reduzir a carga tributária para os trabalhadores e expandir os gastos públicos. Mas, para isso os movimentos sociais e as forças progressistas deveriam ter a disposição de confrontar os interesses do capital financeiro que hegemonizam o próprio governo. Sem mobilização social serão os trabalhadores que pagarão a fatura.
As primeiras medidas anunciadas pelo governo mostram que a política adotada será o continuísmo que privilegia os mesmos de sempre e não enfrenta as bases da vulnerabilidade financeira do país.
Também é preciso enfrentar o problema da dívida pública que seqüestra a possibilidade de futuro para o nosso país.
Ao invés de proteger os trabalhadores e suas famílias, a classe média, os mais pobres que vivem do trabalho o governo salva bancos. Ao invés dos bancos deveriam ser os trabalhadores a serem salvos dos efeitos da crise econômica.

Edson Miagusko é da Executiva Nacional do PSOL

 

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