| O caos aéreo e o interesse privado |
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| Qui, 08 de Novembro de 2007 01:00 | |||
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A indignação de Christophe Haddad, pai da jovem Rebeca, 14 (vítima do acidente da TAM em Congonhas), depois que a companhia levou os senadores da CPI do Apagão Aéreo a uma sessão do Cirque du Soleil, mais do que um desabafo é uma denúncia. Ele enviou uma carta à imprensa, que lamentavelmente recebeu escassa repercussão, na qual aponta “laços fortes que unem a TAM aos interesses de impunidade nas CPIs”.
Esta constatação obriga a uma reflexão sobre os interesses privados por trás do caos aéreo e da ineficácia das investigações da Câmara e do Senado em oferecer aos familiares dos mortos nos acidentes da TAM e da Gol uma resposta minimamente satisfatória à expectativa de punição dos responsáveis. Alegar que são vários os “fatores contribuintes” para os desastres não basta. O fato é verdadeiro mas não anula que a conjunção macabra de coincidências foi acompanhada de incompetências, omissões e decisões criminosas. Os motivos do acidente da TAM são numerosos. Um deles saltou à vista e ainda assim foi ignorado: o tamanho da pista de Congonhas, impróprio para pouso de aeronaves de grande peso, com reverso inoperante e em noite de chuva. O especialista contratado pela CPI da Câmara para analisar a caixa preta do avião depôs que nas mesmas condições de pouso, mas em uma pista como a de Guarulhos, o A320 conseguiria parar a tempo. No acidente da Gol, em setembro, além do transponder desligado deliberadamente pelos pilotos do Legacy, a causa mais importante e olimpicamente ignorada pelas CPIs foi a deficiência do software do controle de tráfego aéreo, em particular do mecanismo de “mudança automática de nível”, que induz os controladores a uma informação errada sobre a altitude das aeronaves. Neste caso, a decisão do Comando da Aeronáutica em negar os problemas e a preferência da maioria dos parlamentares em acatar a versão dos comandantes e sequer ouvir a dos sargentos controladores de vôo fez com que a necessária análise deste problema fosse deixada de lado. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também decidiu silenciar sobre os problemas no software apontados pelos controladores. Se ouvir os sargentos e não aos oficiais, Jobim estará, na visão dos comandantes, quebrando a hierarquia das Forças Armadas. Por isso também ele se recusa a receber os dirigentes da Federação e da Associação dos Controladores de Vôo. Chegamos aqui à primeira medida que foi sonegada pelo ministro, mas indispensável para aumentar a segurança dos vôos: a desmilitarização do controle de tráfego aéreo, compromisso assumido pelo governo no auge da crise e depois esquecido. Publicado no blog do Ricardo Noblat, em 8 de novembro de 2007.
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