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| A Simbiose Renan - Lula |
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| Sex, 26 de Outubro de 2007 01:00 | |||
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*Léo Lince
13 de setembro de 2007
O mau exemplo vem de cima aos borbotões. Para sustentar um morto-vivo na presidência do parlamento brasileiro, o Senado Federal teve que adquirir temporariamente as feições de um sarcófago. Conhecida em outros tempos como câmara alta, a casa funcionou como um curral enlameado, um verdadeiro baixio das bestas.
O voto foi secreto, a sessão foi secreta, os microfones e fios telefônicos foram cortados, os celulares proibidos. Não houve ata escrita ou registros gravados para a história de tudo o que foi dito em tal conclave de anormais. Os patrocinadores e os beneficiários do evento precisavam das sombras para agir com desenvoltura e alcançar o seu desígnio imediato. Conseguiram.
Todos sabem que se o voto fosse aberto e a sessão escancarada o resultado seria outro. Era preciso afastar os olhos do povo e estabelecer uma lacuna no registro histórico para que os maus representantes pudessem operar no contraponto dos anseios da consciência digna da cidadania. Para salvar não apenas o indigitado Renan, mas também o tipo de política que ele bem representa, o Senado Federal entrou na clandestinidade.
No teatro de sombras, rolou de tudo. Os jornais de véspera noticiaram que empresários pressionavam senadores. Não disseram quais, nem precisava. São os de sempre. A malha de cumplicidades que articula o mundo dos negócios com a política de negócios sempre opera na penumbra. Na sessão fechada, o acusado teve condições de distribuir ameaças e chantagens sem quebrar a "omertá". E, longe dos olhos do cidadão, a bancada do PT adquiriu uma súbita desenvoltura na defesa do seu aliado. A elisão da ótica, como talvez diria o deputado Chico Alencar, facilitou ainda mais o avanço da "ilusão de ética". \n\u003cdiv\>Ainda não se sabe ao certo qual será o desdobramento, no ânimo geral da sociedade, de mais esse tapa na cara da cidadania. O desencanto da massa do povo com a política, que já era grande, tende a aumentar. Ao mesmo tempo, é bom registrar que nas chamadas estruturas intermediárias que organizam minimamente a vida social a reação foi de rechaço e de manifesta indignação ao acontecido. Para estes, o tal "manto de silêncio" não funcionou. Serviu mais para mostrar do que para encobrir e, dependendo do rumo dos acontecimentos, pode virar mortalha para seus patrocinadores e beneficiários. \n\u003c/div\>\n\u003cdiv\>O circo montado para a fatídica votação secreta do Senado foi uma apoteose da pequena política. O governo jogou pesado. Nomeou para os altos escalões, liberou emendas, colocou seu líder e seu articulador político na tropa de choque. O PT operou de uma maneira no aberto e de outra no fechado. Quando Lula declarou que o importante era respeitar a decisão soberana do Senado, certamente, já sabia do acórdão. \n\u003c/div\>\n\u003cdiv\>Os vitoriosos com o resultado, execrados pela opinião pública, comemoram envergonhados. Os que perderam caminharão nas ruas de cabeça erguida. As "cartas dos leitores" recolhem o sentimento da cidadania. Os parlamentares que recorreram ao Supremo para furar o bloqueio funcionam como um enclave de vida no parlamento amortalhado. O pequenino PSOL, que desencadeou o processo, já engatilha outros petardos na cartucheira. São, entre outras, expressões do rechaço da sociedade ao tipo de governabilidade que, no episódio em pauta, adquiriu feições na simbiose Lula - Renan. \n\u003c/div\>\n\u003cdiv\> \u003c/div\>\n\u003cdiv\> \u003cb\>Léo Lince\u003c/b\> é sociólogo. \u003c/div\>",1] ); //-->
Ainda não se sabe ao certo qual será o desdobramento, no ânimo geral da sociedade, de mais esse tapa na cara da cidadania. O desencanto da massa do povo com a política, que já era grande, tende a aumentar. Ao mesmo tempo, é bom registrar que nas chamadas estruturas intermediárias que organizam minimamente a vida social a reação foi de rechaço e de manifesta indignação ao acontecido. Para estes, o tal "manto de silêncio" não funcionou. Serviu mais para mostrar do que para encobrir e, dependendo do rumo dos acontecimentos, pode virar mortalha para seus patrocinadores e beneficiários.
O circo montado para a fatídica votação secreta do Senado foi uma apoteose da pequena política. O governo jogou pesado. Nomeou para os altos escalões, liberou emendas, colocou seu líder e seu articulador político na tropa de choque. O PT operou de uma maneira no aberto e de outra no fechado. Quando Lula declarou que o importante era respeitar a decisão soberana do Senado, certamente, já sabia do acórdão.
Os vitoriosos com o resultado, execrados pela opinião pública, comemoram envergonhados. Os que perderam caminharão nas ruas de cabeça erguida. As "cartas dos leitores" recolhem o sentimento da cidadania. Os parlamentares que recorreram ao Supremo para furar o bloqueio funcionam como um enclave de vida no parlamento amortalhado. O pequenino PSOL, que desencadeou o processo, já engatilha outros petardos na cartucheira. São, entre outras, expressões do rechaço da sociedade ao tipo de governabilidade que, no episódio em pauta, adquiriu feições na simbiose Lula - Renan.
Léo Lince é sociólogo.
fonte: www.correiocidadania.com.br
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